Taylor, Gilbreth e a administração do tempo aplicada à construção civil

Olá Construtor de Talento! Neste artigo eu vou escrever um pouco sobre dois dos maiores gênios dos tempos modernos e que provavelmente contribuíram muito a forma como você desempenha às suas funções na sua empresa hoje. Esses gênios se chamam Frederick Taylor (1856 - 1915) e Frank Bunker Gilbreth ( 18681924).

Taylor foi a pessoa responsável por criar o modelo de administração científica, que é usado até hoje em todo tipo de mercado. A ideia era que uma empresa fosse administrada com bases científicas, com estudos de aprimoramento e controle de observações dos trabalhos.

Antes de chegar no ponto que eu quero, vou falar um pouco deste engenheiro que foi pioneiro no conceito de administração. Taylor começou sua carreira como operador de máquinas numa indústria da Filadélfia, chamada Midvale Steel. Trabalhou ali e fez carreira até o posto de engenheiro.

Graças à sua experiência na linha de produção, passou a dedicar-se a estabelecer uma rigorosa observação das habilidades e métodos usados pelos operários. Esta observação era informada por critérios tidos por científicos, ao contrário da prática administrativa até então usada, pouco fazia uso da pesquisa metódica, confiando-se mais no senso comum.

A metodologia que Taylor criou e aperfeiçoou ao longo do tempo era a aplicação desses controles, afim de mapear quais são os movimentos realizados pelo trabalhador, para tentar minimizá-los de forma racional, corretamente ergonômica e mais produtiva.

A ênfase nas tarefas era o principal objetivo para a empresa alcançar uma maior produção, buscando a eliminação do desperdício, da ociosidade operária e a redução dos custos. Com o objetivo de garantir uma melhor relação custo/benefício aos sistemas produtivos das empresas da época.

Na época, o Taylorismo ganhou fama e muitas empresas aderiram à administração científica, principalmente as indústrias. Na virada do século XX, com o final da guerra da Secessão, as indústrias cresceram em um ritmo muito acelerado.

Em seu livro “Administração de Oficinas" (1903), Taylor propõe a racionalização do trabalho por meio do estudo dos tempos e movimentos. Tal estudo visava definir uma metodologia que deveria ser seguida por todos os trabalhadores, pregando a padronização do método de trabalho e das ferramentas utilizadas.


Foi o que Gilbreth fez!

Frank Bunker Gilbreth, foi o pioneiro no estudo dos movimentos dos trabalhadores, aplicando na construção civil. Ele buscou compreender os hábitos de trabalho de empregados de indústrias (Que eram treinados pelos métodos da administração científica de Taylor e que estavam no auge do crescimento industrial na época) e encontrar meios de aumentar a produção dos seus funcionários.

Gilbreth inventou um processo para gravar os movimentos e tempos do trabalhador por meio de filmagem. Seu processo cronociclográfico permite, com pequena lâmpada atada na parte que se move, traçados luminosos que indicam a direção, extensão e tempo do movimento realizado; este último pelo número de pontos luminosos, correspondente cada qual a certa fração de segundo. Publicou: Field system (1908), Bricklaying system (1909), Motion study (1911), Primer of scientific management (1912).

Em Bricklaying system, livro no qual Gilbreth detalha seu estudo sobre a otimização do processo de assentamento de tijolos, resumiu o processo em algumas etapas para conseguir a otimização deste serviço:

- Todos os tijolos descarregados dos vagões, antes de serem entregues aos operários, eram cuidadosamente escolhidos por um trabalhador e colocados com sua melhor face para cima, numa armação simples de madeira, construída de tal modo que tornava mais fácil, para o pedreiro, pegar os tijolos mais rapidamente e em posição mais vantajosa. Desse modo, dispensava-se o exame do tijolo por todos os seus lados, antes de ser assentado, poupando também o tempo gasto em decidir qual parte que devia ficar para o lado de fora da parede.

- Na maioria dos casos economizava-se também tempo despendido em reorganizar os tijolos empilhados em desordem sobre o andaime. Esse pacote era posto pelos auxiliares, na posição mais adequada, em andaime adaptado e junto à caixa de argamassa, de forma que ficasse mais fácil e próximo para o pedreiro executar a tarefa de assentamento do tijolo.

Outra etapa que Gilbreth observou, foi que os pedreiros costumavam bater levemente, e por várias vezes, com a extremidade do cabo da colher no tijolo para, depois de assentado na argamassa, regular a posição e altura. Gilbreth verificou que, combinando um traço mais argamassado com os diversos componentes da argamassa, os tijolos podem ser facilmente colocados na posição exata somente com o peso da mão do pedreiro, sem precisar das batidas da colher. Ele insistiu bastante no cuidado e observação que se devem ter com a preparação da argamassa, o que diminui o tempo para posicionar o tijolo. Temos hoje muitos aditivos para aumentar a trabalhabilidade das argamassas, que são encontrados facilmente em lojas de materiais de construção, que substituem o cal e diminuem também o tempo de preparo da argamassa.

Com estudos minuciosos dos movimentos desta operação, em condições padronizadas, Gilbreth reduziu os movimentos para colocação de cada tijolo, de 18 para 5! Em alguns casos, apenas a dois movimentos. Descreveu todos os detalhes dessa análise no capítulo intitulado “Estudo do Movimento", de seu livro Bricklaying system (Sistema de assentamento de tijolos) .

Uma análise dos expedientes empregados por Gilbreth, para reduzir os movimentos de seus pedreiros de 18 a 5, demonstra esse aperfeiçoamento obtido graças a três recursos:

Primeiro — Suprimiu certos movimentos que os pedreiros acreditam ser necessários, mas que estudos e ensaios cuidadosos demonstraram serem inúteis.

Segundo — Introduziu dispositivos simples, tal como andaimes deslocáveis e grade para colocar os tijolos, por meio dos quais, com pequena cooperação do operário, ele eliminou inteiramente uma porção de movimentos desgastantes e demorados que o pedreiro efetua, se não usar andaime e grade para os tijolos.

Terceiro — Ensinou os pedreiros a fazerem movimentos simples, com as duas mãos, simultaneamente, em situações em que eles realizavam um movimento com a mão direita e, mais tarde, outro com a mão esquerda.

Por exemplo: Gilbreth ensina o pedreiro a pegar o tijolo com a mão esquerda, ao mesmo tempo que com a mão direita, pega uma pazada de argamassa. Esse trabalho, com duas mãos, ao mesmo tempo, naturalmente, tornou-se possível com a substituição da velha prancha (masseira), na qual a argamassa muito fina se espalhava, exigindo um ou dois passos para colhê-la, por um balde fundo colocado junto à pilha dos tijolos e à altura adequada sobre o novo andaime. Com o balde era possível pegar a quantidade exata de argamassa de uma só vez.

Esses três aperfeiçoamentos são característicos de como, ao ser aplicado o estudo científico dos movimentos, ou, segundo Gilbreth, o estudo do tempo, nos ofícios, os movimentos inúteis podem ser suprimidos e os movimentos mais lentos substituídos por outros mais rápidos.

A maioria dos nossos leitores podem se mostrar céticos a esse tipo de desenvolvimento, pois existe uma enorme oposição, principalmente pelos trabalhadores, em mudar hábitos e paradigmas culturais. Mas vemos que as possibilidades de obter grandes lucros com técnicas simples, podem ser concentrados aplicando métodos desse tipo.

Gilbreth finaliza seu estudo, relatando a produtividade média que os trabalhadores apresentavam com, e sem o seu método: Pedreiros selecionados e treinados com os novos métodos, construindo as paredes de uma fábrica de 30 cm de espessura e duas espécies de tijolos, apresentando juntas em ambos os lados da parede, colocaram em média 350 tijolos por homem/hora; enquanto a média, obtida nesse trabalho com os antigos métodos era de 120 tijolos por homem/DIA.

Vale a pena aplicar métodos científicos em treinamentos para nossa mão-de-obra? Deixo essa pergunta pra você responder nos comentários.

Um grande abraço e ótima semana a todos!

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Desenvolvido em estudos que duraram mais de 10 anos e custaram 5 mi de euros, este robô pedreiro é capaz de assentar 1000 blocos por hora e deve ser comercializado a partir do final de 2017. O que Taylor e Gilbreth diriam se soubessem que contribuíram em seus trabalhos, até com o desenvolvimento da robótica?