Como a repercussão da operação “Carne Fraca" pode impactar negativamente o mercado da construção civil?

Fala pessoal!

Todo mundo deve ter lido sobre a Operação “Carne Fraca" da polícia federal, nesta última sexta-feira (17/03/17). Quem estiver por fora, favor clicar aqui, mas em resumo geral, foi uma operação da PF que investiga 40 empresas do setor alimentício envolvidas em um esquema de corrupção que liberava a comercialização de carnes sem a devida fiscalização sanitária . O inquérito mostra que as carnes eram vendidas fora do prazo de validade, misturadas com papelão e até com substâncias cancerígenas, para aumentar o prazo de validade e alterar a coloração da carne estragada.

É impressionante o nível de corrupção que está enraizado no Brasil, em todas as camadas da sociedade, seja no serviço público, que possui criminosos que prestam um desserviço ao país, seja no setor privado, com algumas empresas que manipulam o mercado, para obtenção de maiores lucros, sem sofrer qualquer tipo de punição.

Um dos maiores setores da economia brasileira é o mercado agropecuário. Junto com a construção civil, o comércio e o setor industrial, formam os pilares da economia.

O Brasil é o segundo maior importador de carne no mundo e é o maior exportador , sendo que o fornecimento brasileiro chega atingir mais de 150 países. O reconhecimento de qualidade deste produto brasileiro é internacional, não só pelos consumidores, mas também pelos auditores e técnicos dos países importadores.

Com certeza a divulgação dessa notícia pelo mundo irá impactar muito o volume de exportações. Eu li hoje pela manhã, que vários supermercados e açougues de alguns países no exterior, já retiraram das prateleiras e freezers, todas as peças de carne bovina e suína importadas do Brasil. Países como China, Chile, Coréia do Sul e a União Europeia , suspenderam temporariamente a importação de carne brasileira, até terem maiores dados e informações, tanto das empresas investigadas como do governo.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse neste sábado que os problemas apontados na operação da Polícia Federal foram pontuais e que a carne produzida no Brasil pode ser consumida sem riscos.

"Nosso sistema de fiscalização, ele é forte, ele é robusto e ele é serio. O que aconteceu foi desvio de alguns servidores de algumas empresas. Nós temos que discutir como é que isso aconteceu, mas eu posso garantir com toda tranquilidade que eu não deixarei de consumir, recomendo que você não deixe porque não há risco nenhum", afirmou. Fonte: G1

É engraçado como algumas pessoas/empresas podem impactar negativamente a vida de milhares, talvez milhões, de pessoas. E esse impacto pode afundar ainda mais o país.


CONSEQUÊNCIAS

O mercado agropecuário pode passar agora por uma crise sem precedentes na história. Veja esta reportagem: https://www.campograndenews.com.br/economia/operacao-carne-fraca-pode-levar-pecuaria-a-maior-crise-da-historia

Alguns dos frigoríficos investigados na operação possuem praticamente todo o controle do mercado. Se alguma unidade dessas empresas vier a fechar, os pequenos e médios produtores regionais que fornecem para esses grandes frigoríficos irão quebrar/fechar junto, pois, não existem outros frigoríficos para comprar.

Caso isso venha mesmo a se concretizar e os países que restringiram a compra de carne brasileira continuarem com essa restrição por um grande período de tempo, veremos gradativamente uma diminuição da produção, diminuição do consumo e das exportações . Começaremos então a sentir a diminuição de algumas mercadorias nas prateleiras e freezers dos mercados e açougues.

Neste caso, com essa redução de produção e consumo, o preço das mercadorias tende a subir ou cair?

É claro que irá subir! A demanda por alimentos é diferente da demanda de casas e apartamentos, por exemplo, que, no caso, uma diminuição do volume de compra e redução do volume de obras, faz com que os preços caiam.

Com a possível situação da carne faltando no mercado, todos os índices de controle e inflação da economia que levam em consideração os preços dessas mercadorias, irão subir. Como por exemplo, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que é o principal indicador utilizado no mercado para indexar atualizações contratuais.

O IGP-M é formado pelos índices: IPA-M (Índice de Preços por Atacado - Mercado),IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor - Mercado) e INCC-M (Índice Nacional do Custo da Construção - Mercado), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente.

Adivinhe onde se encontram os produtos agropecuários? Sim, no IPA-M (60% de peso do IGP-M).

No caso do IPCA (Índice Nacional de Preços do Consumidor Amplo), o impacto da subida dos preços deve ser residual, já que o peso total das carnes neste índice é de apenas 3,69%.

O maior problema disso tudo são as consequências em outros produtos e mercados, não só especificamente o mercado de carnes. Uma crise neste setor, num momento como esse, pode desencadear outros cenários que ainda não podemos prever.

O QUE ESPERAR?

Com base nessas informações, onde podemos prever um aumento de valores que poderá impactar nos nossos negócios (construção civil)?

Nos valores de refeições e marmitex, no valor das parcelas do apartamento que você paga, no valor das parcelas do terreno que você comprou, nos custos de materiais, cestas básicas, tickets, etc. Com o aumento de insumo básico, como a carne, a tendência é que isso seja repassado a praticamente todo e qualquer produto final.

Outra preocupação que eu tenho com esse cenário, é a diminuição da arrecadação por parte do governo. Como sabemos, o setor agropecuário é um dos pilares da economia brasileira, e como falamos acima, este pode estar por vir a sofrer uma grande crise. Consecutivamente, o governo irá arrecadar menos imposto. Correto?


Com a diminuição da produção, da exportação e do consumo, a arrecadação pública também cai. Mas o governo possui muitos gastos e não pode mais suportar novas diminuições de arrecadação, dado o cenário em que a economia se encontra. Principalmente se tratando de um item que pesa tanto no consumo interno quanto no volume de importação, a tendência é perder bastante. Li numa reportagem que essa queda pode significar até 0,5% do PIB.

Quem será que vai pagar essa conta?

Com certeza somos nós, através de novos impostos ou diminuição de serviços essenciais básicos, por falta de orçamento público.

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Um abraço.
Wyllian Capucci