Produtividade no canteiro de obras

Olá Construtores de Talento, vocês já pararam pra pensar alguma vez em como a produtividade pode ser importante? Acredito que com certeza sim. Todos nós temos que nos preocupar com isso para que nossas obras andem conforme o cronograma.

Também sabemos que tempo é dinheiro, portanto, não esperamos nada menos do que isso dos nossos leitores. Devemos ter um acompanhamento ativo da mão-de-obra que está executando serviços afim de extrair ao máximo o que os funcionários podem produzir.

No entanto, quando nos referimos à produtividade, muitas vezes não temos nem ideia do tamanho que este assunto pode ser aprofundado e melhorado.

Antigamente, era normal os engenheiros, mestres e gestores em geral, terem conhecimento de índices de produtividade por tipo de serviço. Este tipo de informação é elaborado com base em estudos acadêmicos, histórico de obras estudadas, grandes instituições, etc. Alguns exemplos são os índices da PINI (TCPO), da secretária de educação do estado de São Paulo (tabela FDE), entre outros.

Hoje em dia, a grande maioria das nossas obras são feitas por empreiteiros. Nossa mão-de-obra é quase que 100% terceirizada, salvo algumas exceções. Pelo menos no meu ramo, que é Incorporação de Empreendimentos, é assim. E isso tem atrapalhado a gestão dos engenheiros quando se trata de ser produtivo dentro do canteiro.

Conforme nossos contratos de serviços estão sendo fechados, os empreiteiros estão assumindo a responsabilidade de entregar as nossas obras no prazo, executando os serviços da maneira como eles acham que devem ser feitos. Nós viramos administradores de contratos e estamos deixando de praticar a engenharia!

Convenhamos, esta forma de atuação das obras fizeram com que os engenheiros perdessem o controle da produtividade dos serviços. Quando eu disse logo acima, índice de produtividade, você leitor se identificou com o assunto? Você saberia me dizer por exemplo qual o índice de produtividade da carpintaria da sua obra?

Segue abaixo uma composição de fôrmas da tabela FDE:

Estes indicadores são expressos em hh (horas homem),como por exemplo o da composição acima. O índice de produtividade de um carpinteiro é de 1,3 horas para produzir 1 m² de fôrmas de madeira, idem o do ajudante de carpinteiro.

Você engenheiro ou estudante que está lendo este artigo, têm noção do que seus funcionários estão produzindo no canteiro? Não adianta me falar: “Ah Wyllian, fazemos 3 lajes por mês.". Isso não é índice de produtividade, isso é produção, que são coisas distintas.

Para conseguirmos realmente otimizarmos os serviços da nossa obra e chegar a critérios de excelência, não podemos mais terceirizar a gestão da nossa mão-de-obra. Temos que ter o pleno conhecimento de tudo que se passa dentro do nosso canteiro, quantas horas são gastas para fazer um m³ de um pilar, quantos pregos gastamos para fazer esse mesmo m³, quantas metros de tábua estamos gastando nas nossas formas. Conheço empresas que controlam até quanto estão gastando de ÁGUA e ENERGIA para produzir um metro cúbico de estrutura. Faz sentido, não? Ainda mais com os custos das companhias e o governo enfiando impostos e mais impostos pra cima dos consumidores para tentar diminuir o rombo que causaram.

Qual a melhor forma de fazer esse controle? Usar os índices do TCPO e da FDE? Primeiramente, temos que questionar se estão realmente certos. Como foi chegaram nesse valor? Qual o método utilizado?

Eu duvido muito que esses índices possam ser aplicados em qualquer serviço de carpintaria. Cada obra tem sua particularidade e grau de dificuldade de execução, além de vários outros fatores.

A melhor forma de determinar o índice certo pra sua obra é estudar obras similares da sua própria empresa ou de outras empresas que tenham as informações de quantidade de funcionários, tempo gasto com o serviço e o resultado. Com essas informações nós podemos calcular o RUP (Razão Unitária de Produção).

No livro “Como aumentar a eficiência da mão-de-obra" do autor Ubiraci Espinelli de Souza , explica muito bem sobre o RUP. Este índice é calculado conforme dados reais dos serviços. Basicamente, é o somatório de todas as horas de funcionários dividido pelo total de serviços executados na sua própria unidade.

Por exemplo, gastamos 54 horas (3 carpinteiros e 3 ajudantes trabalhando o dia todo) para produzir 62 m² de forma. Nosso RUP para este dia é de 0,87h/m². Este é um índice diário que tem que ser feito todos os dias para acharmos a média. A RUP média é o valor certo que você poderá usar em outras obras para checar se sua obra está ou não sendo produtiva. Nós vamos aprofundar melhor sobre este assunto em outros artigos, mas segue a dica para você pesquisar.

Um detalhe: Quanto maior for este índice, pior está sendo o desempenho da sua mão-de-obra. Sempre vão ocorrer oscilações de um dia pro outro, pois na construção civil os serviços não são padronizados, como por exemplo, é na indústria automobilística. Nossa execução é bastante artesanal ainda. Podemos otimizar isso e vamos comentar sobre este assunto em outros artigos.

Você tem esse controle nas suas obras? Se não tiver, sugiro que comece a pesquisar e fazer. Isso pode fazer você e sua empresa se diferenciarem no mercado, entregar sua obra antes do prazo e economizar muita grana no seu orçamento.

Temos histórico de empresas que alcançaram um RUP de 0,42h/m² para executar fôrmas de edifícios comerciais e residências em São Paulo. Isso está bem diferente da composição que vimos acima. Isso sim é a verdadeira engenharia meus amigos!

Muitos são os detalhes para essa empresa conseguir chegar a esse nível de execução, os quais vou citar alguns abaixo:

- Escoramentos de alumínio eram mais leves e faziam com que os funcionários fossem mais produtivos durante a montagem;

- Uma grua para transporte das fôrmas e escoramento do andar anterior para o próximo, otimizava muito o tempo (e custo) com ajudantes (Apesar de parecer óbvio, muita gente ainda desconfia dos custos x benefícios das gruas);

- Um segundo jogo de fôrmas proporcionava maior agilidade na montagem da próxima laje, já que não se perdia o tempo com desforma após abrir frente para a próxima montagem.

- Otimização do projeto pensando na construtibilidade. Exemplos: 1) fôrmas de vigas e pilares da mesma espessura, evitando ajustes manuais com reforma de forma; 2) Padronização de altura de painéis de vigas e pilares 3) montagem da armadura das lajes com painéis de tela eletrosoldada que era colocada na laje pela grua em fechos (organizada antes de subir) e distribuída na sequência (A armação da laje não levava mais que 1 hora). 4) Fôrmas pré-fabricadas; 5) Escadas pré-moldadas; Entre outros fatores...

Todas as medidas acima tiveram um custo para serem viabilizadas e implantadas, além de demandar bastante tempo e estudo. Talvez não viabilize para sua obra agora, mas todos sabemos que o grande vilão para os custos de execução e andamento do cronograma das obras são os gastos com funcionários, encargos, etc. e a ociosidade dos trabalhadores no canteiro. Por que então não começar agora pensando nas suas futuras obras?